Renaissance é um longa em formato de desenho P&B muito phoda. Tem todo um toque noir, com um apelo visual muito classudo. A história se passa numa Paris cyberpunk de 2054, onde um policial investiga o seqüestro de uma cientista bam-bam-bam. Tem toda uma reflexão sobre envelhecer e morrer, bláblá. Ficadica.
O Dave Grohl é cheio dos projetos paralelos. O último que tem ocupado o cara é a banda Them Crooked Vultures,com Josh Homme (Queens of the Stone Age) e John Paul Jones (Led Zeppelin). Nos bastidores da gravação do álbum, Dave ficou vários dias sem dormir, blá, mas não por conta de cocaína. Ele tomava doses cavalares de cafeína, ou fresh pots, como ele gritava o tempo todo. Frito de fresh pots, Mr. Dave foi parar no hospital com o coração tum-pá tum-pá, em ritmo de hardcore. Até pode ser um vídeo viral da banda, mas é bem hilário:
O anjo sujo de linho em frangalhos evocou você com uma corneta de prata quando 13 cabeças em riste penduravam teu nome no umbral. Que se feche a porta, não importa, ainda ouve-se a dicção do teu aroma a quilômetros de distância. Levo nos bolsos um olhar cujo reflexo era, veja bem, uma adaga embebida em mel.
Pra quem é chegado em ultra-realismo, uma empresa canadense anda “fabricando” cofres com porquinhos reais, empalhados. Peralá, nesse caso não dá pra quebrar quando estiver cheio. Será que as moedas saem pelo...
Uma pessoa inventa uma tira bem tosca, por exemplo. Com histórias diferentes, mas sempre com o mesmo final. Aí convoca uns amigos pra criar novas tiras, respeitando esse final. Eles começam a espalhar a ideia, outras pessoas fazem o mesmo e assim nasce o que chamam de “meme”. É uma espécie de remix que evolui de maneira viral, se espalhando pelo cyberespaço. O meme em que rio alto, por exemplo, é o forever alone. Ainda mais porque uns 80% ou mais dessas situações ocorreram comigo, e sou um cara que sabe rir de si mesmo:
Quando eu dava aula numa escola perto do Parque Antártica, havia uma 7ª série que só tinha vidaloka, um cara até era “l.a.” (“liberdade assistida”, uma espécie de liberdade condicional da Febem). Esse moleque tinha sido expulso de outra escola por ter arremessado uma cadeira do 2º andar em cima de uma professora. Durante uma aula minha, ele moeu giz, esticou uma carreira enorme em cima da mesa e disse “vai psor, essa é da boa, de Helipa, manda uma aí, vai!”, e eu “não uso dORga, cara.” Aí ele enrolou um canudo e cheirou tudo sozinho. Mas o cara até que gostava de mim, ainda mais quando falei sobre a “Guerra do Ópio”. Ele me perguntava se esse “bagúio” deixava os chineses muito loucos, e eu dizia que sim. Os vidaloka dessa sala me achavam mó doidão: “aí, esse psôr é zica, manow! Huahauhuaa!”
Foi quando ganhei o apelido de “Zé Cannabis”. Isso começou a ter proporções alarmantes, e dali uns dias a escola inteira gritava quando eu chegava: “AEW! Zé Cannabis na áreaaaa!!! Huahuahauh!!!” Até na sala dos professores e nas atribuições de aula na Diretoria de Ensino, companheiros de trabalho me chamavam pela porra do apelido. Uma vez eu estava a algumas quadras da escola e havia uma perua lotada de moleques do prézinho, e um deles gritou “ó lá o Harry Potter!” Só que seu amiguinho ao lado o corrigiu com uma cotovelada: “Se liga, idiota! Aquele é o Zé Cannabis, ô! Eae, Cannabis! Suave?” Detalhe: eu nunca tinha visto aqueles moleques na vida.
Alguns alunos eram viciados naquele jogo dos infernos, “Counter Strike” (pros íntimos, “CS”). E jogando online, descobriram um mané com o nick de “KanNabIs” (eu nunca joguei essa merda, só pra constar). Pra quê. No dia seguinte, o assunto era: “Eae, encontrei o Zé Cannabis jogando CS online ontem! O cara é zica no jogo, hein? Só headshot, manow! Huahuahauha!” Aí vinham me encher o saco: “Eae Cannabis, cê joga CS né?”, e eu “já falei que não uso dORga!”. Mas não adiantava, diziam “o Cannabis é humilde, fala que não joga mas nóis sabe que ele joga e o cara manda bem bagarai, mó viciado, esse cão! Deve usar cheat! Huahuahuaha!!!”
Bueno, acabou o ano e tive que sair da escola. Os alunos fizeram um abaixo-assinado pra que eu ficasse, mas como sou professor substituto, no way. Escreveram coisas do tipo “Fik Kannabis!!! N abandona agenti! Nóis ti zoa mas nóis te ama! kkkkk” Num dia de aula, não sei como, alguém conseguiu tirar uma foto minha sem que eu visse. Aí fizeram a montagem abaixo, do “Zé Cannabis” jogando Counter Strike:
“Nesse truco tava valendo o toba assim né, e eu tive que dar o toba pra ele porque eu perdi! Ele disse mão na parede! Aí rancou a sucuri, aquela cabeçona cor de abróba... falei pra ele: ‘qualquer coisa cê chama a ambulança? Eu dou o cu pucê, mas cê chama a ambulança?’”
“A ocorrência em grande escala de relacionamentos sexuais e amorosos entre robôs e seres humanos é inevitável.” David Levy
Tava lendo na Mag!, especial Japão, que a empresa Orient Dolls, especializada em “bonecas eróticas”, afirma que seus clientes nutrem sentimentos e afetividades pelas piranhas de prásteco. Tanto que a empresa assegura aos compradores que, caso a boneca seja descartada (sei lá, o cara pode magoar-se por ela estar encarando demais alguém, sem tirar os olhos) disponibiliza um serviço fúnebre budista na memória da devassa ingrata. A cerimônia é realizada 2x ao ano no templo de Shimizu Kannondo, deusa da compaixão. Isso me lembra muito aquele filme, “A Garota Ideal” (trailer aqui.)
Em Tóquio, há um serviço especializado em disponibilizar “bonecas acompanhantes” a R$180 a hora. Doll no Mori já virou uma franquia com mais de 40 endereços na city.
Indo além, existem bonecas que se movem, falam e pensam (logo, existem) através da tal “Inteligência Artificial”. Se isso chegar num nível em que essa “inteligência” volte contra si questões como “quem sou eu, de onde vim?”, adeus diferença homem/máquina, orgânico/inorgânico. Vai ver o homem perde tanto tempo criando algo que se assemelhe a si mesmo porque no fundo sabe que não tem resposta convincente pra chacota sobre o “mistério da vida”, e vai jogar essa batata quente pralguma I.A. responder. Ou entrar em curto-circuito. Hiroshi Ishiguru, pesquisador na área de “robôs de comunicação” da Universidade de Osaka, criou uma andróide hiper-realista chamada Repliee Q2 (referência aos Replicantes, do Blade Runner?), que participou de uma feira de robótica no Japão em 2005. Só um palpite: é só uma questão de tempo para que as empresas de robótica comecem a fabricar putas andróides. E haverá bordéis só delas. Bom, o vídeo abaixo é um trecho da Repliee Q2 se apresentando no evento que citei: