pérolas do XXIII simpósio nacional de história
Estou começando a me divertir melhor, anotando certas pérolas que escuto nessa merda de evento. Aqui vai um souvenir que anotei ontem, vindo de um macaco che guevariano exalando incenso de pêssego:
“Professor, pensando no conceito de vontade em Schopenhauer, sobre o mundo como vontade e representação, e a vontade de potência nietzschiana, fico meio assim... é que... tenho uma filha de 3 meses, né? E vendo ela tentando fazer cocô, se esforçando pra evacuar algo que a incomoda por dentro, ela não consegue e começa a chorar, aí acho que é porque ela não sabe por qual buraco tem que sair a coisa, e...”
Escrito por zé às 08h21
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sandices
Só porque me formei em História não quer dizer que seja historiador. Longe disso. Puta pregui. Começou no domingo o Simpósio Nacional de História, aqui em Londrina. Fiquei sabendo disso hoje, já que pra minha ingnorância começaria na segunda. Melhor pra mim, que perdi todas as sandices que envolvem uma abertura solene com o presidente do evento, algum figurão de que sinto orgulho não saber o nome e ter raiva de quem sabe.
A UEL (Universidade Estadual de Londrina) é bem arborizada, portanto o frio é mais intenso (no caso de hoje, fez uns 10 graus por lá). Foi nesta instituição que me formei no curso de História, cujo péssimo corpo docente foi salvo por uma única exceção, mister Gabriel Giannattasio, com quem travei uma interlocução sem precedentes, já que nossas conversas sempre escorregavam da faculdade para as mesas de bar. Encontrei com ele hoje, que, junto com o Tony Hara (da máfia yakissoba londrinense, conto um “causo” dele depois), me deram o fôlego de que tanto precisava.
Enfim, nem sabia a sala em que iria apresentar meu simpósio temático. Faltavam dois minutos quando descobri o local, peguei meu credencial e fui pra maldita sala. Todos aguardando, já que eu era o primeiro “piece of shit” que iria proferir naquele dia. Li o texto com uma sala lotada de acadêmicos me fitando atentamente. O Tony e o Gabriel estavam lá. Caralho, que esforço gigantesco pra terminar logo toda aquela cerimônia idiota, pesada. Historiadores fedem a mofo, se masturbam com o passado e gozam quando jornalistas não menos imbecis lhes perguntam: “quais suas profecias para a segunda metade do século XXI?”. Bah... parem o ônibus que eu quero pular. Lá fora, no intervalo, o Tony comentou: “Ta enfastiado com tudo isso, né, Zé Carlos? (risos). Fastio, estampado na sua cara. Mas gostei, foi muito bom.”
Além do comentário do Tony, a única coisa que salvou foi o olhar clínico de um teólogo (!) sobre meu trabalho. Fora isso, uma curitibanas e uns nordestinos repetindo em outras palavras o que eu havia dito, achando “muito legaaaal, noooossa!”. Ah é, esqueci de comentar. O título do meu texto era “a metamorfose encarnada: travestimento em Londrina – década de 70/80”. Mas decidi mudar tudo, pra despistar os chatos: “o teatro das aparências: gênero e indumentária”. Falei um pouco da história da moda, mas me detive mais na vida de um freak do século XVIII, Chevalier d’Eon, cujo nome emprestou à psiquiatria o termo “eonismo”, referente ao travestismo. Depois conto a história desse cross-dresser, espião travestido em missões diplomáticas na Rússia. Um traveco na época do iluminismo vencendo dos bofes em campeonatos de esgrima. Com pesados vestidos da corte aristocrática.
Ainda falta uma semana pra terminar o evento. Simbolicamente, um ano.
(música do dia: não há música do dia)
Escrito por zé às 19h50
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