Tudo bem, desta vez começarei da forma convencional.
“Querida Marina”,
Sei que não recebeu minha última carta, porque ando vazando as letras algures, alhures e nenhures. Propositalmente. É que desde que saí do Bar do Mohamed com o Augusto, após me despedir, peguei o primeiro ônibus para “piiiii”, então deve presumir minha decisão em sumir por um tempo. Nem por isso vou deixar de te escrever. Mesmo que em endereços inventados a todo momento.
Meu i-pod está aqui, me acariciando o lóbulo das orelhas. Não pára de me dizer “love letters”, da trilha do Blue Velvet.
Adoro a letra dessa música. Vou escrevê-la pra você. Acho que é isso:
“Love Letters straight from your heart
Keep us so near while apart
I’m not alone in the night
When I can have all the love you write
I memorize every line
And I kiss the name that you sign
And darling, then
I read again right from the start
Love Letters straight from your heart.”
No momento, como disse, eu, a fantasmagórica, vou dar uma sumida. Continuarei lhe escrevendo em segredo. Tão sigiloso que nem você saberá. Por isso não poderá “memorize every line”, “kiss the name that i sign”, muito menos “read again right from the start”. Mas nada me impede que lhe escreva, não? Saudades. Vou me virando por aqui, enquanto der. Acho que volto. Cuida da minha mama? Diz que estou bem.
Hum... qual será seu endereço, hoje? Gotham City? Krypton? Dinotopia? Necrópole? Shangri-Lá? Neverland? Ui, esse não... adoro o Peter Pan, mas pedofilia estou fora. Já sei: Asilo Arkham. Cidade Baixa. CEP 6669. Te beijo?
Toda sua,
Abigail.
Escrito por zé às 16h28
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