UM REFRÃO PARA DESCONHECIDOS E ÍNTIMOS
Vale conferir essa peça escrita pelo grande amigo João Fábio, em cartaz até 12/02, ou seja, reta final. Claro que eu seria rude, simplista e reducionista ao tentar resumir o que rola no palco, mas um dos temas acho que trata a respeito de sufocar no nó da gravata as taras-nossas-de-cada-dia-nos-dai-hoje; figuras cotidianas, diurnas, de uma gentileza movida a segundas intenções, dentre outras coisas. Há também um escritor. E bichas com olhar cremoso de “kiss my ass” (estratégia típica de michês). E bichas “black tie” enrustidas (até se sentirem à vontade e liberar geral). E mulheres com brilhos nos olhos (vai saber se é cisco, felicidade, tristeza ou o gozo da bem-comida). E etc. Ah!, odeio “etcs”. Vai lá senão some.

Um Refrão para Desconhecidos e Íntimos Texto: João Fábio Cabral Direção: Rogério Harmitt Assistência de Direção: Thiago Duran Elenco: Marcelo Galdino / Marisa Lobo / Nivio Diegues / Patrícia Winceski / Paulo Vasconcelos Música: Fabio Brum Figurinos: Veridiana Toledo Iluminação: Marcos Loureiro Produção: Núcleo Refrão Anônimo Onde: Centro Cultural São Paulo - R. Vergueiro, 1.000 - Paraíso - Sala Jardel Filho Quando: Temporada até 12/2. Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Quanto: R$12
Escrito por zé às 07h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
NOTAS SOBRE AS NOTAS DE RODAPÉ
Livre da Unicamp, afinal. Nesses três anos de mestrado, o que salva são as amizades e entrevistas que fiz com travecos e bêbados de terceira idade pelas ruas, bares e adegas de Londrina (na verdade, a adega). Eu tava em contato com pessoas e lugares onde a Vida fervilha. O resto é picaretagem e orgia acadêmica (já que se trata de um ambiente propício a masturbações coletivas – simpósios, congressos etc -, desde que você cite as notas de rodapé). Neste outro extremo, a Vida arrefece e agoniza.
Durante esse tempo de pesquisa (como disse, três anos), teve de tudo. Um septuagenário que conheci na Adega de Londrina, Seu Orlando, morreu de cirrose. Poucos dias antes de bater as botas, entrou no bar sem camisa, um frio de lascar, pediu sua costumeira dose de pinga, virou e saiu (uma vez mais, já que fazia esse ritual dezenas de vezes ao dia, começando no horário do almoço). Mas nesse dia ele tava todo cagado, literalmente. Sua presença trouxe uma onda de mau cheiro que forçou um bebum encostado ao balcão a despejar a cerveja de seu próprio copo no cofrinho à mostra do Orlando, numa tentativa desesperada de amenizar a atmosfera por natureza já fétida do local (veja, um bebum que sacrificou parte de sua preciosa dose diária de álcool! Uma libação a contragosto). Isso deu briga, mas não vem ao caso. Já o Sr. Bartolomeu, outro septuagenário de quem já falei aqui no post sobre a peça “O Homem que queria ser Rita Cadillac” teve uma perna amputada. Trombose. O Sr. Bartô – ou Baitôla, como alguns dizem – agora divide suas saias, calcinhas e compridas unhas vermelhas com toscas bengalas. Um andróide que tem a cara do estranho cheiro pós-apocalíptico da Av. Duque de Caxias de Londrina, onde essa figura viveu toda a vida (agora é cuidado por um parente, sei lá onde). Dentre outras coisas que mudaram neste tempo, e outras que mudaram e continuaram na mesma. Quanto a mim, nem tanto. Continuei obedecendo, entregando os relatórios anuais, os trabalhinhos, citando as notas de rodapé e a bibliografia utilizada, mesmo quando não utilizada. Mas tá tudo aí, dissertação entregue no período previsto. Agora estou desistindo de seguir as normas da ABNT. É hora de fazer picaretagem ao meu modo.
Escrito por zé às 06h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|