Pérolas da Pequena Londres
Para quem não sabe, “Pequena Londres” é a forma carinhosa e eufêmica com que resolveram alcunhar a cidade de Londrina. Uma bicha de lá, certa vez, me contou sobre sua iniciação na “irmandade”, como dizem. Ainda era novinha, imberbe e ingênua, estava começando a freqüentar os antros direcionados ao público na época (anos 90), levada pela sua “madrinha”, uma biba mais velha: as boates Vogue, Friends e as festinhas privés. House music bombando. Prodigy estourando nas rádios e nas pistas com “breathe” e “smack my bitch up”. As bichas deliravam. Vendo aquelas cenas dignas da Jean Genet, algumas dúvidas perturbam a bichinha. Num momento de reflexão pós-balada, ela pergunta pra madrinha, já veterana de guerra:
- Rô, e se eu for pra cama com um cara, quiser dar pra ele, mas ele também querer dar pra mim, o que eu faço?
- Se na hora “empatar”, você quer dizer né, mona?
- É... e aí?
- (Rô vira os olhinhos pra cima, achando uma pergunta óbvia) Ai!, vira o cú primeiro né, bicha?
Pérolas da Grande Londres
Essa é da filial européia. Havia uma nightclub muito badalada, com filas de pessoas se estapeando para querer entrar. Só os mais lindos, os mais renomados, os mais “presença”, os mais gooorgeous (aí Bill! Ops, Humberto), faaabulous e glaaamourous podiam entrar, metodologia Studio 54 na veia. Só V.iado I.mpossibilitado de P.agar. Muito luxo, sofresticação e gramú. Se não me engano, a hostess do dia ainda era a Boy George, do extinto Culture Club (lembra? Anos 80, “karma chameleon”...). Sabendo da dificuldade de entrar no local, algumas garotas resolveram ser as mais originais, performáticas, sexys e gorgeous do dia: chegaram nuas e cruas montadas em belíssimos cavalos; uma mistura de comercial da Victoria’s Secret com Revlon. Lindo, avant-garde! Aquilo chamou até a atenção do inabalável e blasé Boy George que logo avisa:
- Ei, vocês! Podem entrar!
Elas sorriem e trotam seus cavalos em direção à porta de entrada, afoitas para dar o ar da graça na nightclub. Mas a Boy Hostess retifica:
- Ã-ã! Vocês não, só os cavalos!

(XL Bündchen e seu cavalo branco. Se a Boy George estiver de hostess, ela NÃO entra. O cavalo, sim)
Escrito por zé às 09h04
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Movimento dos Culhões Intumescidos
Quanto mais buscava distrair-me junto ao capricho dos gatos mais meus culhões inflavam com poesia enganosa. Vale dizer, saco cheio com quem se mete entre as letras para não detonar os explosivos nos becos e nas coisas. Mas as coisas pioraram. Onde bato o olho leio o tal tema universal, “amor”. L’amour, o todo magnificente, tragicômico e onipresente é a pulga do mais misantropo ao mais covarde (pleonasmo redundante ou antítese?); que seja, mas seu cheiro inconfundível flana em todo canto, avenida, palavra, tempero de mau gosto, gagueira e silêncio. Como ser blasé se até meus gatos fedem a amor romântico? Minha última esperança nos felinos naufraga no maldito líquido vermelho esmaltado. É que acabo de receber uma carta (ai de mim, com envelope vermelho e um selo da Rainha Brusqueta... já volto a falar na escrota da Mama Brusca). Mas o que se passa na cabeça de uma (agora ex) amiga pra me escrever contando a vida e a recém-descoberta do amor entre um flerte e outro nos bastidores da Buttman™? Quem diria... Margot, a atriz pornô fall in love, darling. Claro que não foi pelo Monsieur Baguette, o ator com quem se entende melhor (óbvio, em cena). Foi pelo franzino lacônico que carregava os fios pra lá e pra cá, nas filmagens do amor-romântico-porém-pornô (é, costumam filmar o amor e seus enredos). Ao se atracarem por acaso na festinha de lançamento do seu quinto filme, “Ass Ventura”, Margot descobriu os Dotes do rapazeco e já está de casamento marcado. Porque há tantas mulheres que confundem uma boa trepada com amor (olha eu falando no tal de novo)? Ah, o baile de máscaras em que se enfiam as fuças. A Vovó Mafalda e a Mama Brusqueta nunca me enganaram, apesar da gymnoplastia lhes darem curvas adiposas de seios reais; "Brusqueta" pode sugerir uma rima evidente, mas daí não passa.
Há pouco, quando os gatos ainda não exalavam amor no lugar dos ferormônios, eu os amava em degelos disfarçados. Mas voltei a bater os dentes.
Escrito por zé às 13h14
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