A FATALIDADE DAS FÊMEAS

Em alguns casos, o fotógrafo Helmut Newton costumava aproximar beleza e desastre. Como se quisesse agregar um pouco de ruína à simetria das suas divas. Desajeitadas entre gessos, próteses, pinos e bengalas, essas musas fraturadas ainda assim colocavam o corpo à prova do belo.



A americana Aimee Mullins da fotografia abaixo, 29 anos, nasceu sem os pés. Tornou-se modelo e campeã de atletismo; em 1996, quebrou o recorde nas modalidades de 100, 200 metros e salto em distância. Deu o que falar nos jogos paraolímpicos de Atlanta.


Aimee nasceu com um problema raro na formação óssea das pernas, tendo que amputá-las logo abaixo do joelho quando tinha apenas 1 ano. Certa vez, ao encontrá-la num evento de moda, o estilista britânico Alexander Mcqueen a convidou para um desfile seu em Londres. Modelou uma prótese de madeira pra ela, imitando uma bota longa. Durante o desfile da Aimee, a imprensa nem sacou a prótese. Quando o boato começou a correr no dia seguinte, McQueen foi acusado de estar transformando o “London Fashion Show” num “London Freak Show”.

 

Aimee começou a ser perseguida pelos jornalistas, negando todas as entrevistas. Só voltou a cedê-las depois da atuação que fez no filme Cremaster Cycle, do Matthew Barney (que se fudeu ao começar a namorar a Björk... agora é “marido da Björk” forever). No filme, Aimee encarna vários personagens; o mais legal deles é um leopardo. Faz também o alter-ego feminino do Matthew Barney, vestindo botas de vidro, encaixadas na parte do joelho. A “cyber-musa”, como alguns dizem, fez presença na Revista People como uma das 50 mulheres mais belas do mundo. Bom, uma coisa é certa. Ela tem senso de humor, ainda mais quando se trata dos comentários da imprensa sobre sua singular condição nas passarelas: "The press describing me as wearing fake legs. They are not fake, they are prosthetics, they're real!", e ri. Abaixo, as fotos de sua participação no Cremaster Cycle, do M. Barney:




Escrito por zé às 13h53
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