Momento cyberpunk: SIGUE SIGUE SPUTNIK

Sigue Sigue Sputnik, a lendária banda dos anos 80, toca hoje em São Paulo. Vai passar pelas casas Rose Bom Bom e The Week.
Para criar a sua banda futurista, Tony James seguiu à risca os mandamentos do Malcon McLaren, ex-empresário dos Sex Pilstols: criou a “cena”, fez seus escândalos e exagerou nos figurinos (como uma meia arrastão rasgada na cara e um moicano de penas). O álbum “Flaunt It” vendeu como água; estouraram inclusive no Brasil, lá pelo final dos 80. Claro que estão aproveitando o revival “80’s”, como bem tentou o RPM (que mal voltou e já acabou de novo) – tão ressuscitando até Aborto Elétrico, a banda pseudo-punk do Renato Russo. Ok, o Tony James, do Sputnik, não é nenhum cabeça-de-vento que resolveu criar uma banda sintética de laboratório à toa. Foi baixista do Generation X, com um Billy Idol ainda moleque no vocal, tocou com o Sisters of Mercy, o Johnny Thunders (ex-New York Dolls) e o Mick Jones (The Clash).
Mas o Sputnik não é uma banda tão original ou inovadora como dizem, ao fazerem rock eletrônico, com guitarras gritantes sobre uma base programada, samplers e delay no vocal. A banda foi totalmente influenciada pela Suicide, do final dos anos 70, que já abusava das guitarras e sintetizadores. Outras bandas muito boas no estilo eram o Cabaret Voltaire, o Visage, o Soft Cell e o Depeche Mode. Mais que new wave ou synth-pop, um estilo synth-punk estava nascendo, bem ao estilo Blade Runner: replicantes pálidos de moicano, o plástico, a celebração de um amanhã “no future” e niilista, muito neon na publicidade e pessoas se entupindo de cocaína. “Liquid Sky”, um filme obscuro de 82, mostra bem essa "nova onda" que foi o pós-punk. Na literatura, os expoentes do gênero cyberpunk são Philip K. Dick, William Gibson, Isaac Asimov, Lewis Shiner, Bruce Sterling, Rudy Rucker, John Shirley ou mesmo o Burroughs.
Quanto ao Sigue Sigue Sputnik, uma coisa não dá pra negar: apesar da carreira meteórica, fizeram barulho. O hit não nega:
“There goes my love rocket red…
shoot it up…
shoot it up…
now, shoot it up!”
Escrito por zé às 13h44
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INSETICÍDIO
(Quão tristes são mosquitos de banheiro, o dia todo pousados ali no azulejo frio, a umidade penetrando na fibra das coisas e inchando tudo, inclusive as horas. Pura... é a pura imagem do tédio. Aí você dá um tapa e eles explodem num rascunho de grafite. É, carregam pó de grafite e parafina nas asas, daí a impermeabilidade, você enche a boca de água, aponta calculadamente, esguicha o ataque e eles ainda saem ilesos). Depois do banho, toalha na cabeça, ela sentou no sofá, ligou a tv no “ver para crer”, apertou o “mute” e deixou que a trilha do Veludo Azul falasse. Cigarro preso na boca. Longos tragos e lentos trajetos bêbados de fumaça. Ela desligou a tv. Uma enorme mariposa diluída no breu voou direto para a única luz na sala, o isqueiro que acendia outro cigarro. Nada grave. Só patas queimadas, e entre uma música e outra da trilha um bater de asas no chão. "Flap... flap-flap-flap... flap.........".
Escrito por zé às 12h33
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