(O cão que me latia na esquina erguia um hino de horror ao Leste da sua caixa torácica, amore, uma maldita cólica cardíaca justamente no seu sagrado momento “à toa”. Daí sua irritação, entendo. Chegar em casa, acender a luz, encher um copo de vodka e suspirar um “à toa”, sorrir de esquecimento, mas aí vem o cão e te me diz e te me lembra. Porque você me lembra nos momentos de uivo ou na fratura das melodias?) Ela suspirou, foi à janela, xingou o cão-tenor, pegou seu copo e sentou-se na privada fechada. Porque concebia banheiros como Zonas Autônomas Temporárias, reinados provisórios, tronos de passagem e oráculos premonitórios – basta observar, na privada, a posição das fezes, entranhas, bílis e búzios. Encheu a banheira, mergulhou a cabeça e sentiu o odor de maré alta, loucura e conchas.
Escrito por zé às 15h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|