COOL COUPLES

Kyung Ha Lee + Zé Mishima
Conhecer a Lee me fez reencontrar a vida a plenos pulmões. Isso já faz um ano, o que mereceu uma comemoração este fim de semana no Berlin, ao som de Patife Band (chegamos no final, mas tudo bem). Pra variar, o casal 51 se excedeu aos montes. Um estrago geral, uma judiaria com a saúde (ela não é feita pra isso?), mas isso é o de “menas”. Afinal, essa que é a mulher da minha vida me fez ter na língua o gosto do Infinito. Pra onde olho, há sentimentos excedendo as bordas aos borbotões, porque não paro de me apaixonar. Por isso criamos um corpo híbrido (“turcoreano”) que diz sim como quem espirra.
Faz um tempo, ganhei dela um pequeno papel do tamanho de uma unha, na verdade uma amostra de cor da empresa Pantone. Era um azul muito único, denominado “forget-me-not”. Como alguém nomeia uma cor como “não me esqueça”? Que ligação há entre um sentimento e uma cor? Isso intriga, não? Recebi uma cor como uma declaração de amor, um dizer aquém / além da palavra. Isso é “lexicromático”, e me delicia até hoje. Justo eu, um paga-pau de Baudelaire e as tais sinestesias entre sons, cores e perfumes. Claro que ela parece adivinhar tudo.
À garota que me atura (e merecia um Império por isso). Lee, forget-me-not. Amo você.
Escrito por zé às 15h47
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