FESTA JUNINA NA ESCOLA
Dou aula pra todo tipo de gente e faixa etária, dos 11 aos 50 anos. O pior de tudo são crianças (com raras exceções). Claro que o referencial dos moleques é a favela, Mano Brown, 50 Cent e grafitagem. Ser preso dá um puta status, além do sucesso com as minas. Pelo menos é no que acreditam. Esses dias O. (10 anos) estava com os braços e as costas cobertos de “tatuagens” de pincel atômico, típicas de presidiário, com os dizeres “amor de mãe”, “Jesus” e o nome da irmã no braço. Me disse:
- Aí psôr, quando eu ser preso, vou andar na prisão exibindo essas tatoo aqui, ó!
- Tá bom, mini-mano, tá bom... agora veste a camiseta e vai sentar, vai. Respondi.
- Tá me tirando, ow? Te dou uns pipoco, maluco!! – retrucou O. irritadíssimo!
- Tá, tá... [eu não duvido mesmo.]
Final de semana passado, trabalhei na festa junina da escola (na barraca de pescaria. Depois migrei pra de vinho quente, pro meu alívio). Finalmente conheci a mãe de O., uma tiazona bem corpulenta. Ela entrou no bazar, onde algumas professoras (eu chamo de “zuleikas”) vendiam roupas usadas, e foi pegando várias peças. Na hora de pagar, meteu as mãos dentro do sutiã, ergueu as mamas pra fora e desenterrou dali algumas notas esfarrapadas. O gesto da tiazona transformou as professorinhas em estátuas. “Gluuup!”. Quando a tiazona tinha acabado de guardar os peitos, lembrou e disse:
- Opa! Peraê, eu tenho trocado, pô!
Escrito por zé às 18h11
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